"Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim." João 14.6

Coluna: FALANDO A ALMA
Nome: ROGÉRIO B. BERNARDES
E-mail: oirerog@gmail.com
Igreja: CASA DE ORAÇÃO EM JARDIM MARILÂNDIA
Memorando:

Rogério Batista Bernardes, casado com Marilene Rodrigues Bernardes, pai de Miguel e Marilia, nascido em Ecoporanga, em 1969.

Graduado pela Universidade Federal do Espirito Santo; Formado e Especializado em Psicanálise Clínica Pela UNIG e ABPC; Especializado em Gestão Pública Municipal, pelo IFES.

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05/12/2015 13:27:41

NINGUÉM ME OUVE

Sabemos que na comunicação estão envolvidos: o transmissor, o receptor e a mensagem. Sabemos que a mensagem está sujeita a ruídos, que podem impedir a perfeita comunicação.

Quando operamos máquinas, mesmo com interferências, é possível enviar e receber conteúdos com as mesmas quantidades de informações. Ao recebermos as informações inicia o novo processo, a decodificação. Nesse ponto, a participação do homem é necessária e conflituosa.

Consideremos duas pessoas que: falam a mesma língua, moram na mesma região, ambos com seus sentidos funcionando perfeitamente, se comunicando.

O que um fala, é totalmente o que o outro escuta?

Antes de entrarmos nessa discussão, vamos considerar uma passagem bíblica, registrada em Gêneses 11. O povo pós-diluviano, falava uma mesma linguagem. Resolveram construir uma enorme torre que alcançasse o céu. Deus percebe que o povo era muito poderoso, pois possuía uniformidade no falar/ouvir, assim resolve confundir a linguagem.

O objetivo desse aparte é: demonstrar o poder do falar e ouvir. O Senhor Deus disse, “[...] isso é só o começo, tudo o que quiserem fazer, farão. Pois falam a mesma linguagem”. Esse tudo implica bem ou mal, depende da intenção.

Voltando no falar/ouvir o nosso conhecimento de mundo, é adquirido através da percepção dos nossos sentidos. Assim, o significado do que falo e do que ouço não se resume simplesmente ao vocabulário, nas palavras. O que ouço, associa-se imediatamente a algo que já ouvi. Se forem agradáveis, ouvirei atentamente. Se não, não aceitarei. Passarei todo tempo formando juízo, pensando em uma réplica, procurando uma acusação ou desculpa, para transferir meu sentimento, e sentir-me vingado da “afronta.”

Assim:

1º- Só ouvimos o que queremos – II Crônicas 18 v 07,17.

 Acabe não consultava o Homem de Deus, Mica. Porque sempre profetizava contra Acabe. Quando fizera união com Josafá, e esse exigiu ouvir o profeta, os homens de Acabe tentaram intimidar Mica, para que falasse bem a Acabe.

2º- Perseguimos àqueles cujas palavras não concordamos – II Crônicas 18 - 26 e 27.

Acabe após ouvir a profecia de Mica, manda prendê-lo e tratá-lo com pão e água de angustia, até que voltasse da guerra.

3º- Não deixamos o outro falar – Jó 21 - 1 a 3.

Jó quase que implorava a seus “amigos”, para que o deixasse falar,  pediu que o escutassem ATENTAMENTE, depois poderiam zombar de sua fala. Quando começamos a ouvir alguém, ficamos o tempo todo pensando numa história semelhante para contar. Nosso “causo” precisa ser melhor do que o que o outro contou. Se o outro fala de uma dor de cabeça, logo me recordo de uma dor maior.

4º Ao ouvirmos, formulamos juízo do outro. Jó 22 v. 1 a 5.

Os consoladores de Jó passaram a maior parte do livro, responsabilizando-o pela sua enfermidade. Por mais que Jó se justificasse, maior era sua culpa. Ao ouvir, passo todo tempo confrontando: a escuta com meus próprios valores. Até mesmo quando avalio através da palavra de Deus. O entendimento válido é o meu.

5º- Ficamos irados com àqueles que falam – Jó 32 v 2 e 3.

Eliú após ouvir calado, revolvia-se em suas entranhas, desesperado para emitir seu julgamento. Poderíamos dizer que “estava entalado”, e começa, a falar interruptamente, como se toda verdade fosse a dele.

Sobre esse assunto poderíamos passar meses analisando. Nessas análises veríamos que os relacionamentos bíblicos, estão recheados de acusações, juízos e desentendimentos resultantes da má comunicação. No entanto, essa máxima mudou com o Senhor Jesus.

Cristo deixou-nos o exemplo da escuta sem juízo ou justificativa. Jesus ouvia e apresentava possibilidades de solução. Quem precisava se decidir era o outro. Quando acusado, ao invés de se defender, fazia uma comparação, não havia replica, tréplica, discussão. O sentimento do outro precisava ser tratado pelo próprio outro.

Herdamos do pecado essa dificuldade de comunicação, mas pelo exemplo de Cristo podemos mudar isso em nossas vidas.

“[...] Aprendei de Mim, que Sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para vossas almas”. Mateus 11 v. 29

Rogério da Marilene.

 

Casa de Oração em Jardim Marilândia - Vila velha/ES
by, Fabiano de Azeredo