"Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim." João 14.6

Coluna: FALANDO A ALMA
Nome: ROGÉRIO B. BERNARDES
E-mail: oirerog@gmail.com
Igreja: CASA DE ORAÇÃO EM JARDIM MARILÂNDIA
Memorando:

Rogério Batista Bernardes, casado com Marilene Rodrigues Bernardes, pai de Miguel e Marilia, nascido em Ecoporanga, em 1969.

Graduado pela Universidade Federal do Espirito Santo; Formado e Especializado em Psicanálise Clínica Pela UNIG e ABPC; Especializado em Gestão Pública Municipal, pelo IFES.

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05/12/2015 13:33:05

AOS PAIS; AOS FILHOS; AOS FILHOS-PAIS; AOS AVÓS

Gênesis 48.

5 - Agora, pois, os teus dois filhos, que te nasceram na terra do Egito, antes que eu viesse a ti no Egito, são meus: Efraim e Manasses, como são Rubén e Simeão;

12 - Então José os tirou dos joelhos de seu pai, e inclinou-se à terra diante da sua face.

15 - E abençoou a José, e disse: O Deus, em cuja presença andaram os meus pais Abraão e Isaque, o Deus que me sustentou, desde que eu nasci até este dia;

16 - O anjo que me livrou de todo o mal, abençoe estes rapazes, e seja chamado neles o meu nome, e o nome de meus pais Abraão e Isaque, e multipliquem-se como peixes, em multidão, no meio da terra.

Queridos, os versículos dos capítulos - 45 ao 48, de Gênesis, mexem muito com minha estrutura emocional. Ainda não consegui encontrar a que meu inconsciente associa os relatos narrados: do encontro de José com seus irmãos, à morte de Jacó.

Cansá-los-ia, se transcrevesse todo texto, assim extraí apenas esses versículos para dialogarmos um pouco. A história de José é bem conhecida, para os que não a conhece segue uma pequena resenha:

José era filho de Jacó, que possuía duas esposas: Leia e Raquel. Com Leia, Jacó teve dez filhos, com Raquel, a mulher amada, apenas José, filho de sua velhice. Assim, Jacó preferiu José, preterindo aos demais filhos. Isso causou inveja aos demais irmãos que acabaram vendendo José como escravo, aos dezessete anos de idade. Aos trinta anos, José assume o governo de todo Egito, como uma espécie de 1º Ministro.

Dos fatos:

José foi amado nos seus primeiros anos de vida. Seu relacionamento com seus pais foi intenso. Aos dezessete anos, embora adolescente, já estava com seu caráter formado; sua personalidade estava definida; sua fé e sua crença eram sólidas. Estava preparado para dar conta de seus sentimentos. Se assim não fosse, passaria o resto de sua vida: culpando os pais, maldizendo seus irmãos, blasfemando contra Deus. Amargurado, depressivo, revoltado contra tudo e contra todos. Fixado na sua história passada, atribuindo a desgraça da prisão ao fato de seu pai não o ter protegido. Não tê-lo procurado, e ou pressionado seus irmãos, ou muitas outras razões psíquicas, que justificassem sua situação.

No caso de Jacó, vemos o contrário, vemos um pai: "culpado, depressivo, fixado na história, incapaz de agir"; agarrado a perda do filho! Não temos registro de reação. A capa suja de sangue, era lembrança suficiente que o consumiria pelos restos dos seus dias de vida.

José manteve vivo dentro de si, o amor, o carinho, o respeito por seu pai. Nos versículos citados José faz questão de apresentar seus filhos a Jacó, para que fossem abençoados pelo avô. Essa apresentação é seguida de um sinal de reverência devido às autoridades da época, “José se curva diante do pai”.

No versículo 07, do cap. 47, José leva Jacó diante de Faraó para apresentá-lo, bem como para que Jacó abençoasse a Faraó.

Nessa relação: filho x pai, está explícito o respeito  a admiração, a confiança, que José tinha por Jacó. A memória de Jacó: esteve, estava, e estaria presente na vida de José e sua descendência.

- Qual memória de seu pai, você tem deixado para seu filho:

- A de um pai carrasco, castigador, dominador, castrador, que não lhe permitiu fazer o que você queria?

- Que lhe fez sofrer, carregando-o com um fardo insuportável?

- Que a simples presença de seu pai o envergonhava?

- De um pai abusador, irresponsável, ébrio, pecador, adúltero, violento?

- Você apresentava ou apresenta seu pai com o orgulho de quem está apresentando uma autoridade conhecida?

- Será mesmo, que seu pai é o culpado da sua dor? Você já parou para olhar para seu pai, como um homem com seus próprios conflitos e sentimentos, carregando também em si, seus sentimentos de culpa, de abandono, que também recebera de seu avô?

Acredito que reagirão diante desse texto. Até mesmo que transferirão contra mim suas emoções. É claro que poderão negá-las, ou simplesmente abandor a leitura. Mesmo assim, vou insistir em apresentar outras possibilidades:

1)  Você pode lembrar-se dos machucados, da dor, da proibição, da castração, do abandono, do desprazer;

2)  Você pode repetir o sentimento daquele momento, revivendo agora de forma intensa a frustração anteriormente sofrida;

3)  Após esses passos da lembrança e da repetição, você pode elaborar um novo significado para esse incomodo. Lembre se a dor, a decepção, a marca, a ferida é sua. Não é do seu avô, pai, mãe, irmão, tio, sobrinho... Quando você perdoá-los estará dizendo: Compreendi que não houve culpa, dolo, Houve simplesmente um ato, um fato no passado. Que embora tenha me feito sofrer, não deve mais me incomodar, servindo-me de tortura pelo resto dos meus dias. Desses episódios passados nascerão muitas vitórias, semelhantes às de José.

Aos pais, aos avôs- Vocês são autoridades, são canais de bênçãos, Deus os ouvirá, vossas interseções são indispensáveis. Abençoem seus filhos seus netos. Perpetuem neles os seus feitos. Deixem recordações que os motivem a repeti-las, por gerações e gerações.

Deus, na Sua infinita Graça e Misericórdia, os abençoem!

Rogério da Marilene.

 

Casa de Oração em Jardim Marilândia - Vila velha/ES
by, Fabiano de Azeredo